Por Luiz Carlos Bordin
Sesp-MT
Mato Grosso contabilizou quatro mortes causadas por intoxicação com metanol, segundo dados da Saúde Pública estadual, e aparece entre os estados com maior número de óbitos relacionados ao surto registrado no país. Ao todo, 17 casos foram notificados, dos quais seis já tiveram confirmação laboratorial.
O estado integra o grupo das unidades da federação com mais mortes, ao lado de São Paulo, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. No cenário nacional, São Paulo lidera o número de óbitos, seguido por Paraná e Pernambuco, com registros também no Sul do país.
As mortes em Mato Grosso ocorreram no mês de novembro e atingiram moradores dos municípios de Várzea Grande, Sorriso, Querência e Nova Brasilândia. As vítimas foram dois homens e duas mulheres. Apenas duas delas chegaram a receber o antídoto, o etanol farmacêutico, utilizado no tratamento da intoxicação.
A primeira morte foi registrada em 7 de novembro, em Várzea Grande. Uma mulher de 30 anos procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento dois dias antes do óbito, após consumir cerveja e uísque. A identidade não foi divulgada.
No dia 21 de novembro, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou a segunda morte. Márcia Rocha Guimarães, de 42 anos, ficou internada por 18 dias no Hospital Regional de Sorriso após ingerir uísque. Apesar de ter recebido o antídoto, ela não resistiu.
A terceira vítima foi um jovem de 24 anos, natural de Querência, que morreu em 2 de dezembro. Ele deu entrada em estado grave em um hospital particular de Barra do Garças e não recebeu o antídoto. Exame toxicológico confirmou a presença de metanol no sangue.
Quatro dias depois, em 6 de dezembro, foi confirmada a quarta morte. Flávio Roberto da Mata Pereira, de 33 anos, morador de Nova Brasilândia, foi transferido para Cuiabá após a confirmação da intoxicação. Ele chegou a receber o antídoto, mas morreu. Segundo a investigação, havia consumido uísque cerca de 20 dias antes do óbito.
De acordo com a Secretaria de Saúde, outros casos seguem sob investigação, aguardando resultado de exames toxicológicos. Até o momento, cinco pessoas receberam o antídoto: duas que testaram negativo e três com confirmação da presença de metanol.
No Brasil, entre 26 de setembro e 5 de dezembro, foram registradas 890 notificações de intoxicação por metanol, com 73 casos confirmados e 22 mortes. Recentemente, o Ministério da Saúde informou o encerramento da sala de situação criada para monitorar o surto, afirmando que a fase emergencial foi superada e que novos casos passarão a ser acompanhados pelas vigilâncias sanitárias estaduais e municipais.
A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso informou que ações de fiscalização continuam sendo realizadas em comércios, especialmente após registros de pessoas que passaram mal ao ingerirem bebidas em Água Boa, no nordeste do estado.